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10 setembro 2004

D.Portas "O submerso"
Ao ler a crónica de Correia de Campos no Público http://jornal.publico.pt/publico/2004/09/10/EspacoPublico/O03.html
ainda me sinto espantado e chocado com a violência do disparate. Todos nós concordamos que para um país pequeno, miserável e de tanga, gastar quatro biliões de euros a comprar submarinos não é asneira, é muito pior, é crime, é como uma família que compra um Ferrari e não tem comida para dar aos filhos. Mas, embora já me revoltasse a ideia, fiquei estarrecido ao perceber a dimensão da asneira. Quando se fala de muito dinheiro, acabamos por perder a noção da realidade, mas quando traduzimos os valores em coisas materiais, palpáveis e visíveis, a barbaridade ganha contornos mais nítidos e passa a ser ainda mais imoral.
O autor do artigo referido, ilustra de forma contundente esta miséria:
"......Mas se nos lembrarmos que esse dinheiro representa o valor dos incentivos do Estado a três Auto-Europa, o montante de três quadros comunitários de apoio na saúde ou educação, dois terços do custo do novo aeroporto, ou a modernização da ferrovia para se viajar de Faro a Braga em cinco ou seis horas, ................................. Infelizmente irremediável. .............."
Pois é, são estas opções desastrosas que têm tornado este país miserável. O provincianismo, aliado aos interesses particulares de alguns tubarões, constituem maus conselheiros para quem devia dirigir Portugal de forma sensata. Mais do que ser de direita ou de esquerda, o que tem feito a diferença de desenvolvimento para com os outros países, é a insensatez no poder, a incompetência e a falta de respeito por um povo que merecia melhor sorte.

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Referendo

Recebi esta informação confidencial e não resisti a colocá-la aqui.

O país vai ser, de novo, referendado sobre o aborto.
Ao que consegui apurar, a questão que será exposta aos cidadãos já está formulada e é aqui avançada em primeira mão.
A saber:
Qual a sua opinião sobre o aborto?
a) Tem sido um bom ministro da defesa nacional e dos assuntos do mar.
b) Tem sido um ministro da defesa nacional e dos assuntos do mar ineficaz.
c) Nem sequer tem sido ministro da defesa nacional e dos assuntos do mar.

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08 setembro 2004

Por medida!

O Dia Mundial da Alfabetização parece ter sido feito por medida, ou pelo menos assenta-nos na perfeição. Leio nos jornais que Portugal ainda tem cerca de um milhão de analfabetos, o que significa que em cada cem portugueses, há dez que não sabem o mais elementar das letras como ler e escrever o seu nome. Podemos sempre desculpar-nos com a herança do fascismo, mas, a trinta anos da revolução dos cravos os números incomodam pela inércia que revelam. Sucessivos governos têm prosseguido políticas de combate ao analfabetismo, inspiradas na esperança de que os analfabetos morram para limparem as estatísticas.
Enquanto os analfabetos teimam em não morrer, novas gerações de quase analfabetos preparam-se para manter Portugal no topo dos iletrados, só um em cada cinco portugueses atinge o ensino secundário e a maioria deles nunca chegará ao superior.
Podem assinar todas as declarações de Lisboa a Bolonha, a realidade do ensino é caracterizada por um desinvestimento que volta a castigar as famílias e torna a considerar a educação como uma coisa perigosa para o povo e que por isso deve ser reservada para as classes mais altas da sociedade. Somos e continuaremos a ser uma república das bananas, uma espécie de enclave latino-americano que só por acidente se encontra deslocado na Europa, os indicadores são próprios de outras latitudes, assim como a classe política estúpida e corrupta.
Trinta anos depois da esperança é já tempo para perguntarmos quem se enganou e em que lugar da história ficou a revolução.


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01 setembro 2004

Regresso?

Ou talvez não, mas a intenção é regressar.
Entre o trabalho e a escola, com as férias pelo caminho e a desilusão com o Sampaio, tem sido muito complicado encontrar vontade e tempo para blogar. Achei que os meus fiéis leitores (se é que existe algum) não aguentariam a dose de veneno que me apetecia largar, agora que começo a digerir a desilusão e a respeitar o país onde vivo(ou vegeto(ou sobrevivo))talvez consiga voltar a blogar.
Deixo aqui a intenção e vou a correr ver a televisão, quem sabe ainda consigo assistir a mais um daqueles discursos apalestrados do senhor Ministro dos Assuntos do Mar.

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10 julho 2004

Adeus

Morreu Maria de Lurdes Pintassilgo.
O seu coração cansado de tantos anos de desilusão, não resistiu a mais este golpe. Atraiçoada por alguém em quem confiava, preferiu morrer a ter que viver num país tão pimba. Com ela e com a decisão de Sampaio, morre uma parte da democracia portuguesa e todos nós morremos um pouco.
Descansa em Paz Maria de Lurdes, espero que encontres no céu em que acreditavas, um lugar melhor e mais justo, sem traidores e sem algozes, sem Sampaios e sem Santanas ou Durões.
Cá por mim, materialista e ateu que não acredita no além, vou continuar a suportar este nojo de país, esperando sempre que ainda um dia valha a pena aqui viver.
Adeus amiga do povo.
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08 julho 2004

Fogo

Com o fogo dos últimos dias no Parque da Arrábida, ganham força os opositores deste espaço de natureza e aumenta o perigo da sua extinção. São poucos os que clamam pelo desmembramento do PNA, desejosos de juntar mais uns milhões às suas contas bancárias através dos empreendimentos com que sonham. Muitos mais somos nós, amigos e companheiros da Arrábida pura e natural. Mas este é um conflito desigual, em que a maioria não possui o poder económico dessa minoria de especuladores, capaz de comprar tudo o que for necessário para cumprir as suas metas; de incendiários a políticos, há um universo de gente que faz parte dos artigos acessíveis e possíveis de comprar para atacar a natureza.
Nos próximos meses, veremos se a Serra-Mãe consegue resistir a mais esta ofensiva que visa a sua destruição.
Não sei se a classificação de património da humanidade vem, mas se vier, espero que chegue a tempo?
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06 julho 2004

Tábua de salvação

Agora que se afundou o sonho da vitória, torpedeado pelo Galeão Grego, é tempo para Jorge Sampaio recuperar o tempo perdido e salvar o resto deste velho náufrago.
Sei que ele não seguiu o meu conselho e não anunciou a dissolução do parlamento antes do jogo, o resultado foi o que se viu. Só com o anúncio dessa boa nova, é que a nossa selecção teria jogado ao melhor nível. Qual dos nossos heróis teria coragem para voltar a ouvir a história da gravata "Barrosa" e para servir de ícone a uma coligação oportunista "força Portugal".
Ainda é tempo para Sampaio, a não ser que se assuste com a ameaça daquele palhaço da Madeira.
Uma vez na vida gostava que ele tivesse razão, ver um parlamento sem direita seria uma experiência interessante e quem sabe se tomaríamos o gosto.

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01 julho 2004

Adeus Barroso

Hoje estou muito bem disposto que até pedi ao Camões uma ajudinha para me despedir do Barroso.
Camões

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Com o Tempo o Prado Seco Reverdece

Com o tempo o prado seco reverdece,
Com o tempo cai a folha ao bosque umbroso,
Com o tempo para o rio caudaloso,
Com o tempo o campo pobre se enriquece,
Com o tempo um louro morre, outro floresce,
Com o tempo um é sereno, outro invernoso,
Com o tempo foge o mal duro e penoso,
Com o tempo torna o bem já quando esquece,

Com o tempo faz mudança a sorte avara,
Com o tempo se aniquila um grande estado,
Com o tempo torna a ser mais eminente.

Com o tempo tudo anda, e tudo pára,
Mas só aquele tempo que é passado
Com o tempo se não faz tempo presente.


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Portugal em Grande~

Dias de alegria e orgulho português.
Para terminar em beleza, faltam-nos apenas duas coisitas e ambas se deviam centrar no domingo da nossa alegria. O amigo(?) Sampaio devia fazer uma comunicação ao país no domingo à tarde, anunciando que vai convocar eleições antecipadas e pondo ponto final aos sonhos de poder peronista do senhor Lopes. Era o momento ideal, punha fim a uma expectativa que atrasa o País e criava um clima emocional propício para comemorarmos o segundo momento do dia, a vitória na final. É pois de superior interesse nacional a dissolução do Parlamento, atrevo-me a acreditar que dela depende a nossa vitória no Euro, a claque nacional exige condições ideais para continuar a transportar a bandeira e a exorcizar a crise e só depois de estarmos livres das sombras tenebrosas, podemos transportar Portugal à vitória.
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